PTrodáctilos

Caixa patrocina festa de Toffoli

Um banco 100% estatal, controlado pelo PT até as entranhas, deu R$ 40 mil para a festa em homenagem ao seu ex-advogado, agora aparelhando a mais alta corte do país. A matéria pode ser lida aqui.
 
Apenas neste fato você poderá encontrar uma síntese de como o PT usa as estatais e o dinheiro público brasileiro, bem como o que o jovem ex-representante de José Dirceu foi fazer no STF. Brasília é uma festa, paga com o seu dinheiro.
 
Eles estão em festa e têm motivos de sobra. Já o Brasil deve usar o que ainda resta deste domingo para rezar.

Vocês foram avisados

Este blog estava nascendo e logo no seu quarto post ("Feliz 1950!"), o tema era a maneira botocuda e retrógrada com que este governo vinha tratando as questões relativas ao pré-sal.
 
O texto foi recebido com latidos e rosnados por muitos cães hidrófobos e sarnentos do lulismo que costumam rondar o Pandorama mas que, neste blog, viram sabão com apenas um clique-carrocinha. 
 
Leiam o noticiário de hoje sobre a pataquada varguista de ontem e depois o que este blog previu, há quatro meses, sobre isso, clicando aqui
 
É claro que as ações despencariam e é claro que voltarão a subir em algum momento, mas a sinalização do mercado foi clara: uma nova PDVSA, controlada pela CUT e pelo PMDB, colocará o Brasil fora do radar dos investidores, restando apenas como opção de captação de recursos os aproveitadores e os George Soros de sempre.
 
UPDATE: O editorial da Folha de hoje (02/09) enterra as risíveis acusações de que ser contra o arroubo fascista de ontem do governo Vargas, perdão, governo Lula, em relação ao pré-sal, seria um ranço oposicionista ou, o que é mais ridículo, "direitista". A Folha, o único think tank da esquerda bananeira digno de respeito, confirmou tudo que está dito aqui neste blog e muito mais. Assinante pode ler aqui.

O ovo da serpente

Eles não desistem.
 
Na TV Brasil, ou Lula News, acabo de ver uma matéria com alguns subjornalistas defendendo o "controle social da mídia", um eufemismo nada sutil para censura. Isso no mesmo dia em que Rafael Correa diz que quer fechar uma TV no Equador e que Lula lança um blog sem espaço para comentários.
 
Ainda bem que ninguém presta atenção nessa irrelevância perdulária de 1 bilhão de reais, que poderia causar ainda mais estragos ao país se tivesse audiência. Mesmo assim, é um episódio que não pode passar despercebido.
 
Quando a primeira estrovenga fascistóide inventada por essa turma saiu do papel, o tal Conselho Federal de Jornalismo, o cartunista Ziraldo, insuspeito em termos de simpatia por esse governo e por teses de extrema esquerda em geral, escreveu o belíssimo texto abaixo ao companheiro Ricardo Kotscho, então secretário de imprensa de Lula, que vale a pena ser lido e relido toda vez que a censura, sob qualquer pretexto, volte a assombrar o debate político nacional. Mesmo que venha rastejando pelas sarjetas do subjornalismo governista.
 
Com vocês, um texto para imprimir, enquadrar e pendurar na parede.
 
O Ovo da Serpente
 
Por Ziraldo
 
Em 1783, terminou nos Estados Unidos a Guerra da Independência quando o Lord da Cornualha perdeu a Batalha de Yorktown para o time americano, enxertado por craques europeus como o La Fayette, o Rochambeau e o Von Steuben.
 
Benjamin Franklin, John Adams e James Jay foram para Paris, representando 13 dos futuros estados americanos e fizeram a Inglaterra assinar o reconhecimento do nascimento de uma nação. Por esta razão é que eles e sua tchurma são chamados de America's Founding Fathers, ou seja, os pais fundadores da América (do Norte).
 
Foram eles que elaboraram, com cuidado, precisão e zelo, a primeira Constituição escrita do mundo. Eram sete artigos que definiam o que chamei - quando o Brasil estava escrevendo a sua oitava Constituição - de manual de instruções de um país. Era exatamente isto o que ela era: determinava de que maneira o país devia funcionar. Era tão precisa e tão bem escrita que atravessou dois séculos sem sofrer qualquer alteração. E mais: foi modelo para grande parte das constituições dos países que foram nascendo na América toda.
 
O Benjamin (que, além de inventar o pára-raios, era um político sagaz, atuante e terrivelmente racional) voltou com o John Adams (que já era um amigão do George Washington) de Paris e decidiram que a nova nação precisava de um documento que a constituísse. Em 1787, eles três - e mais uns tantos outros -, representando 13 estados, terminaram de redigir o texto da Constituição e passaram quase dois anos correndo atrás das assinaturas dos demais representantes dos novos estados, que se uniram para fazer o país que iria se chamar América.
 
Enquanto isto, o pau estava comendo na França, que queria virar também uma nação livre e democrática. Alguns meses antes, porém, de os franceses redigirem a sua famosa Declaração dos Direitos Humanos de 1789, James Madison, outro father, já tinha descoberto que faltava à sua Constituição o que ele chamou de Bill of Rights, uma lista dos direitos do cidadão americano diante da nova nação constituída.
 
Era preciso um conjunto de normas gerais para que o poder do estado fosse limitado em função da segurança de cada cidadão. Sugeriu-se, então, o acréscimo de, parece-me, 27 emendas tratando deste assunto. Emendas que contemplavam, por exemplo, o direito de ir e de vir, o direito à inviolabilidade do domicílio, de não ser detido sem culpa, de ser considerado inocente até que o estado prove sua culpa; os direitos das crianças, das famílias, da proteção ao trabalho, do acesso ao saber e ao lazer, etc. etc. e etc. Por coincidência, os mesmos direitos exigidos em Paris.
 
Fico imaginando aqueles austeros e sábios cidadãos americanos, inundados de verdadeiros e altivos propósitos - igualzinho aqui no Brasil -, conscientes de que estavam fundando uma nação em um Novo Mundo, decidindo como cada cidadão devia viver no país, sabendo de todos os seus direitos e de todos os seus deveres.
 
Cada hora um dava um palpite - imagino -, cada hora um se lembrava de um direito. Olha só, que trabalhão! Que responsabilidade! Fico vendo o James Madison dizendo para o Dickson: "Ei, cara, qual você acha que deve ser a primeira emenda?" E o Dickson falando: "Acho que é sobre o direito à liberdade." "Perfeito", disseram todos. "Escreve aí, secretário William Jackson, Emenda Número Um... Todo cidadão tem direito à liberdade de pensar, de agir, de tomar decisões, mas..." "Um momento", deve ter falado um dos constituintes: "Mas, como?" "Ihhh..." - deve ter falado um outro: "Melou!"
 
"Claro que melou", deve ter dito o Benjamin Franklin, que, por aquela cara dele na nota de US$ 100, dá para ver que era um cara irônico: "Como você vai botar poréns numa discussão sobre liberdade?" Aí, deve ter falado o Alexander Hamilton (que era tão seco e objetivo, que achava que não tinha mais nada para acrescentar na Constituição de sete artigos que haviam escrito): "E se o cara abusar do direito de ser livre? E se ele caluniar, fizer denúncias falsas, mentir para prejudicar os outros?" "Péra aí", falou o Washington, que, pela foto na nota de US$ 1, dá para ver que já não tinha dentes: "Isto não é constitucional, no que se refere a direitos. Coisas deste tipo devem ser resolvidas pelos códigos de leis."
 
Todos aplaudiram, pois sabiam diferenciar Constituição de regulamento. Aí, um deles deve ter dito: "É melhor criarmos todas as condições legais para punir o mentiroso do que cercear e constranger aquele que descobriu a verdade." Ficaram nesta discussão durante meses. Até que um lá se levantou e disse, como se tivesse perdido a paciência ou descoberto a pólvora: "Quer saber de uma coisa? Chega de discussão sobre o indiscutível. Vamos escrever aí, nesta primeira emenda: não se farão leis sobre liberdade de expressão. Pronto!"
 
"Bela conclusão!", disseram todos. E ditaram para o secretário Jackson: "O Congresso NÃO LEGISLARÁ no sentido de estabelecer uma religião, ou proibindo o livre exercício dos cultos, ou CERCEANDO A LIBERDADE DE PALAVRA OU DE IMPRENSA ou o direito do povo de se reunir pacificamente e de dirigir ao governo petição para a reparação de seus agravos." Em cima de uma Constituição assim, o povo americano construiu a nação mais poderosa e mais rica do mundo.
 
Meu querido Ricardo Kotscho, você sabe o carinho, o respeito e a admiração que tenho por você. Hoje, mais do que antes, pela magnífica figura do nosso irretocável ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Peço a vocês, porém, que aceitem, de uma vez, meu aparte na discussão que você propõe no seu artigo da Folha de S. Paulo de terça-feira sobre a criação do infeliz Conselho Superior de Jornalismo. Sou contra!
 
Ora, o que devemos fazer é criar condições de agilizar a Justiça! Ela tem todas as condições de, através de seus códigos de leis, enquadrar quem não merece o título de jornalista. Por favor, Kotscho, não legislemos sobre qualquer coisa que se refira à liberdade do cidadão. Aqui, é bom seguir o exemplo americano. Você conhece o Brasil: o próximo governo pode não ser nosso e eles podem querer "aperfeiçoar" seu código de ética. Começa assim.
 
Lembre-se: toda a vez que - não é o caso aqui - canalhas são ameaçados, eles inventam de criar um código de ética, Kotscho. Você se lembra - é claro - da nossa heróica luta pelo velho e ultrapassado sonho de nacionalizar as histórias em quadrinhos. Sabe como eles nos neutralizaram, Kotscho, lembra? Criaram um Código de Ética para a categoria!
 
Vocês me desculpem, mas eu vou lutar contra este ovo que se quer botar no ninho da nossa atividade. Desculpem a metáfora, mas ele é o ovo da serpente.

Uma candidata para unir as esquerdas


Marina Silva e Dilma Rousseff (lembram dela?) andaram empolgando as redações e blogs alinhados com o lulismo nos últimos meses por serem mulheres, esquerdistas e pelas suas “histórias de vida", o que era de se esperar.
 
Se até Marta Tereza Smith de Vasconcelos Suplicy já foi tratada como candidata do povo, num desses contorcionismos que se faz para justificar as candidaturas do PT, não é surpreendente que a rainha da floresta e a mãe do PAC possam servir para desempenhar o papel de representante das esquerdas em 2010. Mas será que elas têm mesmo o physique du role necessário para ganhar corações e almas da militância na primeira eleição sem Lula na cédula desde o fim do regime militar?
 
Fica a pergunta, numa tentativa de ver o Brasil pelos olhos da esquerda: por que não Benedita da Silva?
 
Quem pode duvidar das suas credenciais para presidir o Brasil, dentro desta visão bem particular do que habilita alguém para estar a frente "deste país"?
 
Nascida na favela do Pinto, no Rio, Benedita viveu grande parte da vida no Chapéu Mangueira, na qual foi líder comunitária. Foi auxiliar de enfermagem e é diplomada em serviço social. Chamada carinhosamente de “Bené”, trabalhou desde criança. Vendeu limão e amendoim, foi operária em fábrica e entregou roupa para sua mãe. É “da Silva”, como Lula, o sobrenome mais popular do Brasil, o que confere uma espécie de parentesco simbólico entre ambos. E a esquerda adora símbolos.
 
Benedita foi deputada estadual e federal pelo Rio de Janeiro, tendo participado da legislatura que redigiu a Constituição de 1988. Foi a primeira mulher negra a ocupar uma vaga no Senado federal, em 1994. Foi vice-governadora do Rio de Janeiro na gestão Anthony Garotinho e, com sua renúncia, assumiu o governo em 2002, entrando mais uma vez para a história, agora como a primeira mulher negra a assumir o cargo de governadora de estado. Ela foi também ministra do governo Lula, na pasta da Secretaria Especial da Assistência e Promoção Social, e hoje é secretária de estado no Rio de Janeiro. No seu legado político está a criação do feriado de 20 de novembro, homegeando a Consciência Negra.
 
Mas se isso não bastasse, Benedita também foi perseguida pela imprensa golpista, que não aceita uma representante do povo ocupando cargos público e ajudando o "andar de baixo", assim como hoje fazem com José Sarney. A imprensa pegou no seu pé por desvios  que ela com certeza ou não sabia ou que representaram concessões necessárias para a realização do primeiro projeto progressista e popular em 500 anos, o mesmo "udenismo" que derrubou Getúlio, certo? Até isso Benedita pode ostentar em sua típica biografia de esquerdista latino-americano.
 
Para representar a esquerda na próxima eleição presidencial, quem tem mais credenciais, história de vida, experiência administrativa e simbolismo que Benedita da Silva?
 

Os bons companheiros

Então fica combinado assim: arma-se uma presepada para os eleitores e continuam todos juntos com Sarney, Renan, Collor, Wellington Salgado, Almeida Lima, Paulo Duque et caterva, aumentando incontrolavelmente o gasto público, estatizando homeopaticamente a economia, dividindo o butim do PAC e do pré-sal, acabando com o legislativo e armando uma bomba relógio fiscal para o próximo governo.
 
Mais uma vez, a montanha pariu um rato. De bigode. A Omertà petista deu o tom, a dúvida é se o eleitor mais "ideológico" vai engolir.
 
Será que um dia a imprensa terá o mesmo interesse pelas discussões internas do PCC? O líder do grupo, Marcola, leitor de Lênin e de todas as biografias de Che Guevara que consegue, é um auto-proclamado revolucionário de esquerda e deve ser uma inspiração para outras organizações com a mesma ideologia quando precisam enquadrar seus liderados que desobedecem a liderança partidária. É uma lição que Trotsky certamente aprendeu depois de uma "reunião" com um emissário de Stálin em seu exílio no México.
 
 

Mitômano

Durante o constragedor ataque que protagonizou à ex-secretária Lina Vieira hoje, Aloízio Mercadante resolveu sugerir que, assim como ele e Dilma, Serra também teria mentido (no seu eufemismo, "se enganado") sobre seu currículo acadêmico. Veja aqui a fala de Mercadante, o valente que comandou a tropa de choque para salvar o mandato de Renan Calheiros ano passado, e a resposta do governador aqui, na qual diagnostica seu detrator como mitômano.
 
José Serra, um filho de feirante criado na Móoca, é PhD em economia pela Universidade de Cornell, uma instituição fundada em 1865 e que deu ao mundo 40 prêmios Nobel. Já a universidade brasileira nunca conquistou sequer um único Nobel na história e seus cursos ainda se prestam, vergonhosamente, a dar algum verniz acadêmico para a esquerda mais radical e jacobina.
 
Carl Sagan, Richard Feynman, alguns CEOs das maiores empresas do planeta, muitos membros do Congresso e da Superma Corte americana estudaram em Cornell. A universidade também formou vários ex-chefes de estado, mas não vai aí nenhuma previsão, apenas a constatação de que ser doutor por Cornell é bem diferente do que inventar um doutorado pela Unicamp.
 
Podemos resumir o episódio de hoje assim: um petista de quatro costados é pego fazendo uma lambança e, para tentar se safar perante a opinião pública, sai alardenado uma versão leviana e falaciosa sobre o fato, usando seus companheiros e serviçais na imprensa para reverberar um mentira e tentar arrastar a oposição para o mesmo saco de gatos, vendendo a idéia de que são todos iguais, quando não são. Soa familiar?
 
Mercadante fez o que eles sempre fazem, a questão é saber quando o país vai tomar vergonha na cara e começar a fazer algo diferente em relação a eles.

Lula Marinada

Para quem acha que aqui só se fala de política, segue uma receita de Lula Marinada, criada pelo craque István Wessel.
 
Recomendo servir quando você estiver recebendo jornalistas em casa, afinal lula é o prato preferido deles há mais de 25 anos e não custa oferecer a iguaria com o tempero do momento. Sirva com muita salada verde, para dar um tom mais ecológico, acompanhada de sucos de frutas amazônicas. 
 
Não mudei, omiti ou alterei uma única vírgula da receita original de István Wessel, que segue abaixo, mas reconheço que há uma parte que é quase impossível de se fazer, que é separar o corpo da lula dos tentáculos. Quem conseguir realizar a proeza terá a gratidão eterna do povo brasileiro.
 
Bom apetite!
 
 
 
Ingredientes
 
 2 kg de lula fresca inteira, (ou 1,5 kg de lula congelada e limpa)
 1/4 xícara de suco de limão
 1 xícara de cebola roxa, picada
 3/4 xícara de erva-doce ou salsão, picado
 3 dentes de alho amassados
 1/2 xícara de folhas de salsinha, picadas
 1/4 xícara de folhas de manjericão, picadas
 3/4 xícara de azeite extravirgem
 1/4 xícara de vinagre de vinho branco
 sal e pimenta-do-reinos, moída na hora e a gosto
 6 tomates maduros, tamanho médio
 
Preparo
 
Lave a lula em água corrente fria, retire a membrana que a recobre e, com um corte, separe o corpo dos tentáculos. Limpe-o por dentro. Em duas panelas de água, coloque 1 colher de sopa de limão e um pouco de sal em cada uma e ferva. Cozinhe os tentáculos de lula numa panela e os corpos na outra, para os primeiros ficarem bem vermelhos e os outros, brancos. Lembre-se de que a gente come primeiro com os olhos. Cozinhe até que fiquem tenros (cerca de 20 minutos). Escorra, passe por água fria e corte a lula em anéis. Numa tigela, misture a cebola, a erva-doce, o alho, a salsinha, o manjericão, o azeite, o vinagre, o limão restante, sal e pimenta. Mexa bem e acrescente os corpos e os tentáculos. Cubra e leve à geladeira por, no mínimo, 6 horas e no máximo, 2 dias, mexendo de vez em quando. Escorra o molho da marinada antes de servir. Se quiser servir a lula nos tomates, corte-os ao meio, retire as sementes e recheie. O tempo de cozimento da lula é rápido, cerca de alguns minutos. Se passar disso, a lula sai do ponto e fica borrachuda.
 

Os cães ladram e a caravana passa

Enquanto o Brasil fica hipnotizado com as brigas no Senado, como se acompanhasse um reality show de quinta categoria, duas notícias de hoje passaram despercebidas.
 
A primeira é que o ministro da justiça (com minúscula mesmo) e comissário bolchevique Tarso Genro não viu censura na decisão judicial contra o Estadão, leiam aqui.
 
A segunda é que Lula disse a Uribe que o combate ao narcotráfico e às FARC na região não deve contar com ajuda externa (leia-se EUA), dando a entender que prefere nesta tarefa a eficiência e rigor dos companheiros bolivarianos e cocaleiros. Ele levantou suspeitas sobre o acordo com uma severidade que, por exemplo, não se viu em relação à eleição do companheiro Mahmoud Ahmadinejad no Irã. Leiam aqui.
 
Eles não transformam o Brasil na Venezuela porque não podem, não porque não querem. Mas se todo mundo está preocupado com os xingamentos no Senado, bom divertimento.

Palocci, um direitista?

Se você não teve o prazer de ler o artigo do ex-ministro Antonio Palocci hoje no Estadão, não sabe o que está perdendo. Ele pode ser lido na íntegra aqui.
 
Em resumo, o antigo habitué daquela casa em Brasília que tinha Francenildo Santos Costa como caseiro publicou, na página mais nobre de opinião do jornal O Estado de S. Paulo, um texto sobre o mercado de cartões de crédito. Ele está preocupado com os rumos que a discussão está tomando no Congresso e alerta que, a pretexto de melhorar o marco regulatório do setor, os parlamentares podem estar criando empecilhos e constrangimentos ao seu crescimento. Segundo ele, "há o risco de uma regulação inadequada resultar em grandes perdas econômicas." Bingo!
 
Leiam com atenção este trecho: "se as taxas são percebidas como altas, talvez o que falte nesse mercado não seja limitá-las diretamente, mas permitir que a boa e velha concorrência o faça. Medidas de defesa de maior concorrência no setor, inclusive com a entrada de novos atores, serão bem mais eficazes do que o tabelamento de taxas, o questionamento da verticalização das empresas ou seu enquadramento como instituições financeiras." Essas idéias são de Adam Smith, não de um petista de quatro costados. Hugo Chávez teria um ataque cardíaco ao ler esse parágrafo.
 
Antonio Palocci dá mais uma prova de que é um peixe fora d'água, se não em termos éticos, com certeza em termos ideológicos da agremiação em que participa. Ele claramente entende as vantagens da livre concorrência e do livre mercado em comparação aos monstruosos sistemas planificados, cujas decisões econômicas são feitas por burocratas corruptos, negligentes, incompetentes e obtusos, sufocando a sociedade e criando miséria, desabastecimento e a devastação da capacidade de inovação, do empreendedorismo e da produção.
 
O ex-ministro está de parabéns pelo artigo. Com certeza a indústria de cartões fez, digamos, um bom trabalho com ele. Que seus companheiros, entre uma porção de alfafa e outra, possam conhecer um pouco mais do que dá certo "neste planeta" nos últimos 200 anos.

O pior presidente do Brasil

Meu querido amigo Pax fez, em seu ótimo blog, uma provocação pública e explícita, quase pornográfica. Segundo ele, Lula seria o melhor presidente do Brasil de todos os tempos. De todas as ofensas que conheço já dirigidas ao país, como as do livro "Contra o Brasil" do Diogo Mainardi, esta é uma das mais fortes, um tapa na cara.
 
Tenho que admitir que reli o post para ver onde estava a ironia, custei a acreditar que ele realmente estava dizendo isso, ou pior, que ele realmente pensava isso, assim como custo a acreditar que tantas pessoas duvidem da chegada do homem à Lua. Só acreditei mesmo quando li o comentário do Chesterton e vi que era para valer.
 
A provocação é ainda mais clara para quem, como eu, considera Lula o pior presidente da história. Na verdade, Lula rivaliza a lanterna com outro comuno-fascista com a mesma vocação coronelista, peronista, estatista, messiância, fisiológica e retrógrada: Getúlio Vargas. Os dois, juntos, atrasaram o Brasil em um século. O comuno-fascismo (ou nacional-desenvolvimentismo) só nos fez patinar numa espécie de Moonwalk político em que se anda para trás enquanto muitos juram que estamos andando para frente.
 
O Brasil teve um crescimento econômico medíocre no período lulista, um dos piores do mundo e comparável ao destroçado e famélico Haiti. A explosão dos gastos públicos tornou o país uma bomba relógio fiscal que está prestes a estourar com a queda da arrecadação. Continuamos assombrados com a máquina pública hipertrofiada, infectada pela praga do vírus-militante, transformando a União na maior fonte de recursos para um partido político brasileiro em todos os tempos, sem qualquer disfarce e com direto até a recolhimento de dízimo na folha salarial, explicitamente, à luz do dia.
 
A política externa brasileira, terceiromundista e bolivariana, que namora com o antissemitismo e o antiamericanismo mais botocudo, gestada por perfeitos idiotas latino-americanos, nos coloca como cúmplices, parceiros e entusiastas de alguns dos piores ditadores do planeta, algo como uma extensão do apoio de Lula à Sarney em escala global.  Nossas relações com os países da América do Sul são tão lesivas ao país que os petistas do Itamaraty não deveriam apenas ser demitidos, mas responsabilizados civil e criminalmente pela repetida política de lesa-pátria em relação aos vizinhos. Na UNESCO, apoiamos um apologista da queima de livros judaicos contra um brasileiro. Reconhecemos a China como economia de mercado, defendemos fervorosamente a lisura da suspeitíssima eleição iraniana e classificamos a Venezuela como um país com "excesso de democracia". Esnobamos o único presidente latino-americano que combate vigorosamente os narcoterroristas das FARCs, o líder mais popular da América do Sul Álvaro Uribe.
 
O Brasil ainda não percebeu com clareza a ferocidade com que foram retomadas as estatizações em setores estratégicos da economia, algo que o governo militar fez com igual sanha, a partir da compra voraz de empresas privadas ou criação de estatais, junto com a demonização das privatizações, uma das poucas ações governamentais brasileiras com êxito em 500 anos. Outros setores seguem em forte concentração, movimento simbolizado pela compra da Varig pela Gol, aquela do Nenê Constantino, comemorada em pleno Palácio do Planalto com a presença do primeiro-compadre e intermediário da negociação Roberto Teixeira.
 
O PAC é uma cópia pirata da política econômica dos governos militares do milagre econômico, a ponto do oráculo de ambos ser o mesmo: Delfim Netto, o czar das finanças públicas da ditadura, com a ajuda de outros companheiros de nacional-desenvolvimentismo como os pais do vergonhoso Plano Cruzado e da hiperinflação recorde do governo Sarney. Nem é preciso mostrar a inoperância e o fisiologismo da execução para ser contra o PAC na sua essência, na sua visão retrógrada de estado-pai e provedor, que lembra a frase de Washington Luís em 1920: "governar é abrir estradas".
 
Vimos a Casa Civil montar um dossiê para constranger um ex-presidente e sua família. Assessores diretos da cúpula petista foram presos ao tentar forjar um dossiê contra o governador de São Paulo. O irmão de um ex-presidente do PT foi preso com milhares de dólares na cueca. Parte da polícia federal virou um instrumento para espetáculos que, fosse o Brasil mais permeável e frágil, poderiam descambar em momentos dignos do governo de Vladmir Putin. A briga pelo controle da Brasil Telecom, decidida a favor do investidor da empresa do filho do presidente, foi outro escândalo de proporções galáticas. É preciso mesmo continuar a lista?
 
Foi no governo atual que o Ministério da Saúde perdeu o controle da dengue e, por pouco, não apanhou feio da febre amarela. Também no governo atual entidades como as centrais sindicais, a UNE e até a ABI se tornaram Tonton Macoutes do lulismo e o MST e seus satélites perderam qualquer limite, chegando a invadir e destruir laboratórios de pesquisa. Foi neste governo que um passado de guerrilha armada dos anos 60 vira um prêmio da Mega Sena nos dias de hoje. Neste governo, uma TV estatal foi criada, sorvendo mais de 1 bilhão de reais em gastos, para abrigar todo tipo de extremista de esquerda cuja carreira estava no ostracismo e dar traço em audiência.
 
Se não bastasse tudo isso, houve o mensalão.
 
Nunca é demais repetir que, segundo processo que corre no STF, o atual governo brasileiro tentou comprar, com dinheiro vivo, grande parte do parlamento brasileiro, tornando o Congresso irrelevante como na Venezuela e em outros países com a mesma inspiração do tal socialismo do século XXI chavista.
 
O núcleo duro do governo foi classificado, na ação movida pelo procurador-geral da república, aceita e defendida com rara contundência pelo ministro Joaquim Barbosa, como uma "quadrilha", uma "sofisticada organização criminosa". O que pode ser mais escandaloso do que isso, mesmo para uma república de bananas?
 
O Brasil está se tornando um país que, a partir daquele post, pode também ser chamado de Paxtão, um estado que, apesar de todos os pesares, agrada até a gente inteligente, honesta e bem intencionada como o Pax.
 
O Paxtão, o país do PACtóide, do PMDB/PT e do lirismo onírico ou lisérgico do Pax, vai tentar se eternizar no poder a partir de 2010, elegendo um poste lulista. Se Lula enfiar Dilma goela abaixo do país ano que vem, o lulismo deverá superar o getulismo como a corrente política que, por mais tempo, colocou o Brasil na marcha à ré da história.
 
Lula poderá enfim dizer a seus companheiros Robert Mugabe, Hugo Chávez, Fidel Castro, Islom Karimov, Mahmoud Ahmadinejad ou Muammar Khadafi que aprendeu a fórmula dos gafanhotos, engordando, defecando e reproduzindo enquanto destrói o milharal. Pena que Omar Bongo não viveu para ver e aplaudir esse espetáculo.
 
O Paxtão acabará um dia, é verdade. Seu roteiro de pornochanchada é continuamente refilmado há 100 anos, trocando apenas o elenco de canastrões, bufões e burocratas cucarachas. O problema é saber que gerações inteiras de paxtaneses morrem no final.

Biscaia, cadê você? Eu vim aqui só pra te ver!

Por uma dessas ironias do destino, como já contei aqui, os PTrodáctilos resolveram invadir a praça em frente ao meu escritório no Rio e fazer piquetes, comícios e arruaças quase diárias. E uma das figuras mais fáceis é o deputado federal Antonio Carlos Biscaia, sempre com um microfone na mão e uma idéia de 150 anos de idade na cabeça. É uma das figuras mais queridas da esquerda carioca.
 
Curiosamente, logo esta semana tão especial para o PT, eles sumiram.
 
Cadê os discursos em defesa desse grande estadista chamado José Sarney? Cadê os ataques à oposição e à imprensa golpista contra o imperador do Maranhão? Cadê os bigodes postiços nos rostos e o grito de "Sarney é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo?"
 
Biscaia, onde está você quando mais precisamos?
 
BiscaiaBiscaia

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