Política

O Frei Betto da extrema direita

O "telepastor" Pat Robertson, uma figura realmente desprezível, resolveu tirar uma casquinha de uma das maiores tragédias da história da humanidade, ocorrida no Haiti. Um horror.
 
Esse monstro culpou um "pacto com o diabo" do povo, já que o Haiti é conhecido por ter uma minoria de praticantes do Vudu e outras tradições religiosas de origem africana, esquecendo-se de que o país é de maioria católica.
 
Ao ouvir esse comentário, me lembrei de todos os celerados que usam a religião para fazer proselitismo de causas radicais que justificam assassinatos políticos por crimes de opinião. Para esses, fica apenas o desejo que de realmente haja inferno.
 
Que nossas orações estejam com o povo haitiano.
 

Na corte do Tio Rei

Acabo de chegar da tarde de autógrafos do livro "Máximas de um país mínimo", o mais novo lançamento do blogueiro número 1 do país, Reinaldo Azevedo, na Livraria Cultura da Avenida Paulista. Um sucesso, "para desespero dos blogueiros tocadores de cavaquinho", como ele mesmo ironizou ao agradecer o auditório lotado.
 
Presenças ilustres, como a autoridade máxima da cidade, o prefeito Gilberto Kassab, e intelectuais como o psicanalista e colunista Contardo Calligaris, não ofuscaram o brilho da estrela da festa e sua ira santa contra o establishment petista que, na sua visão, luta para se tornar, como o PRI mexicano, um poder hegemônico por décadas, um cenário mais sombrio que o céu paulistano dos últimos dias.
 
O evento me lembrou 2005, no auge do mensalão, quando fui atraído por um convite inusitado: a Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos convidava dois jornalistas, Reinaldo Azevedo (da revista Primeira Leitura, que eu assinava) e Paulo Henrique Amorim, para discutir o papel da imprensa na cobertura daquela que foi a mãe de todos os escândalos até então "na história desse país".
 
Pouco mais de 30 pessoas no auditório conheceram, naquele momento mais que conturbado da política nacional, um Reinaldo Azevedo não só intelectual e moralmente superior ao seu oponente no debate, mas um pensador capaz de desnudar e desmoralizar a argumentação anti-democrática e autoritária de Paulo Henrique que, num momento inesquecível, defendeu Hugo Chávez e a maneira como ele tratava "a imprensa golpista".
 
O blogueiro-símbolo do aparelhamento petista na imprensa disse (eu vi, ninguém me contou) que Chávez era um exemplo a ser seguido, que seus discursos de horas e horas em cadeia nacional, falando "diretamente com o povo", eram um antídoto para as "distorções da mídia". O pito que ele tomou do Reinaldo lavou a alma dos presentes que, com certeza, lamentaram o evento não ter sido filmado.
 
Depois de apanhar muito no debate, Paulo Henrique tentou contemporizar, elogiando uma outra fala do Reinaldo, mas recebeu uma das melhores lições que já deve ter recebido na vida. Reinaldo falava de uma frase inteligente do porteiro do seu prédio quando Paulo Henrique disse: "é a sabedoria do povo". Reinaldo não titubeou: "não, ali era um indivíduo e não uma classe, toda vez que a humanidade olha seres humanos em categorias nascem ditaduras."
 
Nesta manhã abafada de sábado, ao pegar o microfone e falar por aproximadamente uma hora, Reinado Azevedo deu o público algumas das frases que fazem do seu blog o mais relevante, interessante e influente dos blogs políticos do país.
 

  • Os blogueiros que vendem matérias e batem carteira são espertos, eles tocam cavaquinho porque é um instrumento que se pode tocar mesmo algemado.
  • Se eu temia um governo Lula que desse errado? Ele é muito mais perigoso quando aparentemente dá certo.
  • Eu não tenho partido, mas tenho lado. E meu lado é o do estado democrático de direito.
  • Quando apareceu o escândalo Arruda, eu fui o primeiro a pedir que um vigarista e vagabundo como ele fosse preso. A nossa diferença é que nós não damos festa para "nossos" vigaristas e vagabundos, dizendo cinicamente que não há provas contra eles.
  • Nenhum partido é feito de santos, mas alguns se livram dos seus vagabundos, outros tentam transformar seus roubos em teoria política.
  • Lula é popular? Acaso vocês esqueceram que o fascismo também já foi extremamente popular? Popularidade não é salvo conduto.
  • O risco de tentar eleger um poste é que um poste pode sofrer um apagão.
  • Serra está fazendo o certo ao não entrar já na campanha. Hoje seu debate seria com Lula, que nem é candidato. Ano que vem, o debate será com o seu poste, aquela que vai pra TV dizer "concordo com o senhor, presidente".
  • Quem vai ganhar ano que vem? Pode ser qualquer um. Pode ser a oposição. Pode ser até o Aécio. O pessoal de Minas não gosta quando eu faço essa piada.
  • A diferença entre governos autoritários e democráticos é que os democráticos protegem as minorias que se opõem a eles enquanto os autoritários as esmagam.
  • Ontem fiz uma piada no blog dizendo que Obama havia me copiado em seu discurso quando disse que o "pacifismo" não teria vencido o nazismo. Meus leitores entenderam a piada, já "eles" levaram a sério, invadindo o blog e me xingando, o que explica muito sobre quem somos nós e quem são "eles".
  • Tenho o privilégio de ter leitores muito melhores do que eu. Os tocadores de cavaquinho conseguem ter leitores ainda piores que eles.
  • Fui um mau trotkista na adolescência porque li tudo que Trótski escreveu.
  • Nesta época, eu era contra o governo, fui fichado no Dops. Precisei amadurecer para descobrir que não era contra aquele governo, sou contra qualquer governo.
  • Eles conseguiram aparelhar até a Fiesp. Paulo Skaf, a quem chamo de Paulo Esquife, um sem-empresa há 15 anos, foi eleito por José Dirceu.
  • Não vou aqui ficar defendendo a imprensa, mas a liberdade de imprensa. Eu já fui dono de revista e sei como é quase impossível contratar um jovem recém saído da universidade sem colocar na redação um proto-revolucionário.
  • Claro que a polícia de Brasília se excedeu e errou, apesar de estar correta em tentar garantir à população o direito de ir e vir. No imaginário popular, toda vez que aparecer a imagem de alguém em cima de um cavalo e outro caído no chão, quem está caído no chão estará sempre certo. A imprensa errou ao chamar aquele pessoal de "estudantes e trabalhadores", o que é uma piada. Aliás, onde eles estavam quatro anos atrás, quando estourou o escândalo do mensalão?

Volta Delúbio!

Este que vos escreve gostaria de declarar publicamente seu voto a favor da campanha do Blog que pede a volta do “Companheiro Delúbio” ao PT. Conheçam o blog aqui: http://www.companheirodelubio.blogspot.com/. Você pode acompanhar a campanha pelo Twitter, claro, clicando aqui: http://twitter.com/comdelubio
 
O blog se apresenta assim: “enquanto a Camara Federal não aprovar a reforma política é injusto condenar apenas uma pessoa por todos os caixas 2 de mais de 500 anos de história desse pais.” O blog repete as teses dos acadêmicos e jornalistas a serviço do petismo de que a “perseguição” ao companheito era um “golpe das elites” contra o governo popular, progressista e operário e que ele teria feito “o que todo mundo faz”.
 
Outro argumento do blog é que nada do que fez foi “para benefício pessoal”, um argumento que, por si só, já resume boa parte do que penso sobre a esquerda e o que ela faz quando chega ao poder.
 
Na época do mensalão, o senador Pedro Simon (PMDB-RS), num discurso em plentário, disse: “se Lula fosse filmado assaltando um banco a mão armada” diria que era “para o povo” e ainda sairia fortalecido. O que seria hoje de Miami, aliás, sem os dólares do alto comissariado bolivariano, trazidos em malas de dinheiro e voando em jatos particulares, para usufruir de tudo que o dinheiro do povo pode comprar? Converse com alguém que faça negócios na Venezuela e que tenha algum tipo de relação com autoridades locais para ter uma aula definitiva sobre o socialismo real.
 
Segundo um dos primeiros posts do blog, “Delúbio Soares não é acusado de qualquer alcance de dinheiro público e não é acusado de um único ato sequer que visasse seu próprio benefício, seja político, financeiro ou pessoal.” O dinheiro “não contabilizado” não é negado. O que fica é a tese de Márcio Thomaz Bastos de que seria apenas Caixa 2 de campanha, um crime que, evidentemente, em maior ou menor grau, pegaria de roldão todos os políticos “desse país”.
 
Na época em que o mensalão ainda parecia ter algum potencial de penetração no caveirão blindado petista, Delúbio disse que todas as acusações contra ele virariam “piada de salão” e que em “três ou quatro anos” tudo seria esquecido. Palavras proféticas.
 
A campanha está no ar e tem meu apoio. E você, não acha injusto esse tratamento que o PT deu ao companheiro de luta? Delúbio não é mesmo a barba, cabelo e bigode do PT? Ele não merece um prêmio depois de seguir, com rigor siciliano, a Omertà petista e proteger o partido e seu timoneiro?
 

O Partido do Terror

Poderia pensar em maneiras mais sutis de dizer isso, mas o fato é que o presidente brasileiro sugeriu que o grupo de narcoterroristas que assomba o continente há 40 anos organize um partido político e dispute eleições. É, meus caros, ele disse isso e em público, numa entrevista coletiva, para quem quiser ouvir. Até porque ele sabe que a imprensa brasileira não quer e não vai ouvir.
 
Ele aconselhou publicamente ao grupo que quer destruir a democracia na região que “seria muito mais fácil” chegar ao poder disputando eleições, o que aparentemente seria um caminho mais curto para colocar companheiros no poder do que pegando em armas, sequestrando, traficando drogas, extorquindo, torturando e matando. É uma condenação pragmática ao terrorismo, não moral.
 
A América Latina está repleta de exemplos de que essa tática pode mesmo funcionar, ao menos por um tempo. Lula sabe do que está falando. Esse deve ser, aliás, o tal socialismo do século XXI de que fala Hugo Chávez, outro amigo escancarado das Farc.
 
“Se, em um continente como o nosso, um índio e um metalúrgico podem chegar à Presidência, por que alguém das Farc, disputando eleições, não pode?”, disse Lula fazendo uma correlação inacreditável (ou surpreendentemente sincera) entre a eleição dele e de um terrorista do grupo. Um presidente vindo das Farc é o mesmo que a eleição dele próprio ou de Evo Morales, o presidente cocaleiro? É o que a “direita” da região sempre afirmou mesmo. Ele fez a declaração em Rio Branco (AC), numa entrevista coletiva após se reunir com o presidente peruano, Alan García.
 
Lula esnoba constantemente Álvaro Uribe, o presidente mais popular do continente, com mais de 90% de popularidade, advinda do seu combate sem trégua e vitorioso contra os terroristas. Em declarações como essa, o presidente vai deixando claro de que lado está na luta entre o povo colombiano e a versão cucaracha da Al Qaeda, presença histórica e com assento nas reuniões do Foro de São Paulo, organização de extrema esquerda fundada por Lula em 1990, na esteira da queda do Muro de Berlim, para aglutinar a esquerda (incluindo os grupos armados) do continente. Fidel Castro declarou que a fundação do Foro de São Paulo, naquele momento, foi fundamental para que o comunismo se mantivesse forte e articulado no continente. O resultado está aí.
 
Posso sugerir um nome do partido? Que tal Partido do Terror?
 
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