Brasil

Stalingrado Connection

 
 
Uma das jabuticabas brasileiras é haver toda uma classe de financistas e rentistas orientados por idéias de esquerda mas que, por trabalharem em bancos, fundos de investimento, corretoras de ações e fundos de pensão, são tratados ou classificados, no analfabetismo político brasileiro, como “direitistas”.
 
Dos grandes jornais brasileiros, o mais governista e mais esquerdista é, sem dúvida, o Valor Econômico, especializado em economia e finanças. Foram economistas de esquerda ou “heterodoxos”, cujas idéias de segunda mão vão de interpretações marxistas de Keynes a Celso Furtado, que nos deram a década perdida dos anos 80, aquela do Plano Cruzado, da moratória da dívida externa,das tablitas, do boi sumido no pasto e da reserva de informática. São eles que, assanhadíssimos, estão de volta com o PAC e com toda cantilena do estado anabolizado. Não custa lembrar o óbvio: Karl Marx era, além de filósofo, economista.
 
O líder inspirador dessa turma hoje é o americano Paul Krugman, Prêmio Nobel de Economia e articulista regular do New YorkTimes, mas há outros como Jeffrey Sachs, um fã declarado do regime comunista chinês. Muitos regimes ou movimentos de esquerda ou anti-americanos hoje são financiados por bilionários como George Soros, mas para a constrangedora academia brasileira e seus esbirros na imprensa, se o sujeito trabalha num banco ele é “de direita”. Não custa lembrar que os dois blogueiros-símbolo do lulismo, Paulo Henrique Amorim e Luís Nassif, são jornalistas especializados em economia. João Pedro Stédile, o famigerado líder do MST, é também economista e por muito tempo colaborou como articulista nos grandes jornais do país.
 
Um dos mais conhecidos representantes destes liberais de Stalingrado é o economista Ricardo Amorim, um dos apresentadores fixos do programa Manhattan Connection. Se você quer saber o que pensa alguém do mercado financeiro brasileiro com muito dinheiro no bolso e algumas idéias marxistas de segunda mão na cabeça, assista o programa que, diga-se, mesmo sem o brilho de outros tempos ainda é uma das melhores pedidas da TV brasileira.
 
No programa que foi ao ar neste domingo, Amorim estava como o diabo gosta, chegando até a dizer que, seja qual for o próximo presidente, “vamos” sentir a falta de Lula (“vamos” quem, cara pálida?). Se isso é um direitista, imagina o que é preciso fazer para ser aceito na esquerda. Amorim estava tão solto que deu uma excelente oportunidades para Diogo Mainardi expor a maneira bovina como repete as teses da esquerda sem nem parar um minuto para pensar no que está dizendo.
 
Ricardo Amorim, que estava se auto-proclamando jocosamente de “o guru da Avenida Paulista” ao fazer previsões para a nova década, afirmou que o preço do petróleo vai para a estratosfera, enchendo os bolsos de Hugo Chávez e todos os tiranetes (o adjetivo é meu) que vivem das suas receitas. Para Amorim, Chávez e seus congêneres usarão o dinheiro para se eternizarem no poder.
 
Logo depois, o assunto foi Cuba e Amorim afirmou: “os EUA erram ao fazer o embargo econômico a Cuba, já que tudo que acontece de errado lá os irmãos Castro culpam a falta de comércio”. Diogo Mainardi viu na hora a contradição e retrucou: “Ricardo, mas se um Chávez com dinheiro se eterniza no poder, por que um Fidel rico vai terminar com seu regime?”
 
Ricardo gaguejou e, claro, não teve como defender mais essa tese absurda da esquerda, mas que é repetida a todo momento, das salas de aula às mesas de bar. A crítica ao embargo é a maior declaração de amor à globalização, uma prova da necessidade da integração econômica dos países.
 
 

Orlando Lovecchio, uma verdade inconveniente

Em 2010, será lançado o documentário "Reparação", que contará a história de Orlando Lovecchio Filho, um estudante sem qualquer atuação política que perdeu a perna num atentado terrorista planejado e executado por Diógenes Carvalho de Oliveira, o "Diógenes do PT".
 
Mesmo sendo um civil mutilado por um atentado terrorista, que apenas passava pelo local no momento da explosão, Orlando recebe R$ 571,00 de aposentadoria por mês. Diógenes, o autor do atentado, numa história que resume bem o Brasil de hoje, ganhou uma Bolsa-Terrorismo de R$ 400.000,00 acrescidos de uma pensão mensal vitalícia de R$ 1.627,00.
 
Diógenes era militante do PCB em 1964 quando foi para Uruguai, "alistando-se" para a luta armada pelo grupo de Leonel Brizola. O próprio Brizola arrumou sua transferência para Cuba, onde ficou um ano sendo treinado para atentados com explosivos, que viria a ser sua especialidade.
 
No início de 1968, já de volta ao Brasil, entrou para a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e começou uma série de crimes e banhos de sangue como atentados a bomba, assaltos, roubos e muito mais. Participou também da famigerada execução a sangue frio do capitão americano Charles Chandler, no mesmo ano. Em 1969, foi preso, torturado e, um ano depois, deportado para o México. Retornou à Cuba e foi enviado para ajudar a criar a "Cuba sul-americana", o Chile de Salvador Allende. Com a queda de Allende, Diógenes retornou para o México, indo depois para a Europa e África.
 
Depois da Anistia, voltou ao Brasil e participou do grupo "Tortura Nunca Mais". Foi assessor parlamentar do PDT no Rio e nos anos 90 ingressou no PT-RS, assessorando todos os principais petistas gaúchos.  Ajudou a engordar o caixa de várias campanhas do PT gaúcho atuando como um "arrecadador" e "articulador" do partido. Diógenes, que é economista e fala vários idiomas, criou no estado o Clube de Seguros da Cidadania, uma entidade que servia para captação de recursos para o partido, além de uma agência de viagens que leva turistas a acampamentos do MST.
 
Em 1999, como assessor do então governador gaúcho Olívio Dutra (PT), foi gravado pedindo ao chefe da Polícia Civil, delegado Luiz Fernando Tubino, que "aliviasse" a repressão aos bicheiros. Suas agendas, apreendidas nas investigações, eram repletas de referências aos principais bicheiros de Porto Alegre, segundo reportagens da época. 
 
O roteiro que se seguiu é previsível: Diógenes, que foi Secretário de Transportes da prefeitura de Porto Alegre na gestão de Olívio Dutra, disse que "usou o nome do governador indevidamente" e deixou o partido, declarando: "continuo o socialista e revolucionário de sempre". Quem duvida?
 
Seu silêncio acabou bem recompensado e a Bolsa-Terrorismo de quase meio milhão de reais mais a aposentadoria fizeram com que uma história de crimes terminasse em uma pequena fortuna com dinheiro público. Se tivesse conseguido implementar um regime cubano no Brasil, é provável que hoje também estivesse vivendo do Erário. Ao final, ele venceu.
 
Este ano, o surpreendente e fantástico "Simonal - Ninguém Sabe o Duro que eu Dei" deu o pontapé inicial no que pode ser o início tímido mas imprescindível de uma série de documentários que não tratem os "anos de chumbo" como uma luta entre o bem e mal, a versão que os marxistas tentam transformar em história, mas uma luta entre dois lados radicalizados e extremados, ambos sem qualquer compromisso com a democracia.
 

FHC, por que não te calas?

Fernando Henrique Cardoso é conhecido por suas declarações estapafúrdias e que, não raro, constrangem qualquer brasileiro com um mínimo de vergonha na cara.
 
Seus pendores anti-democráticos e messiânios, seu coronelismo de segunda mão, sua vulgaridade macunaímica, tudo é cinicamente ignorado pela imprensa, pela grande maioria dos analistas políticos e pela burritsia acadêmica, que enxergam até algum mérito ou charme em suas diatribes. Por mais que FHC se esforce em lembrar a todos, regularmente, que sua agenda é muito mais próxima de seus pares bolivarianos do que se admite, sua popularidade tem servido de escudo para a absoluta destruição da discussão política no país e de um mínimo exercício de oposição.
 
Em visita ao Cazaquistão, o presidente FHC saiu em defesa de José Sarney, o imperador do Maranhão, estado que está na zona de rebaixamento em todos os campeonatos de desgraças nacionais: IDH, analfabetismo, renda per capita, saneamento básico, mortalidade infantil ou expectativa de vida, todos com indicadores em níveis subsaarianos. Mesmo sendo um estado com recursos naturais abundantes, clima favorável e do tamanho da Itália e da Alemanha, o Maranhão é uma perfeita tradução do que figuras como José Sarney podem fazer para manter o nordeste na Idade Média.
 
Fernando Henrique disse que as denúncias contra Sarney são culpa da imprensa e que o ex-presidente não poderia ser tratado "como uma pessoa comum". Só mesmo um típico representante das elites para dar uma declaração preconceituosa e arrogante como essa, de corar até Maria Antonieta.
 
Para o presidente falastrão, não se pode investigar Sarney, Renan Calheiros, Severino Cavalcanti e, principalmente, a Petrobras. Quando estava na oposição, era aquele vale tudo terrorista, torpedeando diariamente a construção da estabilidade econômica que acabou por viabilizar o período de crescimento em seu próprio governo. Ele mesmo já classificou o que fazia na oposição como "bravata", mas hoje acredita que não se deve investigar mais nada.
 
Aguardo ansiosamente os artigos com os repúdios veementes de Luís Fernando Veríssimo, Josias de Souza, Gilberto Dimenstein, Kennedy Alencar, Elio Gaspari, além dos blogueiros de sempre, contra mais essa declaração ordinária, vulgar e vagabunda do presidente-sociólogo. Fora FHC!
 

"Não há pensamento sério no Brasil"

 
Nem o frio polar ou o trânsito infernal da Marginal Pinheiros conseguiram esvaziar o evento de lançamento da nova edição da revista Dicta & Contradicta nº 3 na Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos em São Paulo. O público ocupou cada centímetro do auditório para receber Eduardo Gianetti da Fonseca e sua palestra-provocação: "Há pensamento sério no Brasil?".
 
O local estava repleto de universitários com roupas de tweed ou gola roulé, daqueles que você nunca vai ver quebrando refeitórios ou invadindo reitorias, dando ao lugar aquela atmosfera que misturava reunião do clube de caça à raposa com vernissage. A entrada era franca, mas é claro que grande parte dos presentes comprou a revista.
 
O escritor, doutor em economia por Cambridge, começou a palestra definindo o que é, na sua visão, "pensamento sério". Para ele, há que se utilizar três filtros:
 
- Tempo: O pensamento dito sério deve ter sido testado pelo passar do tempo, deve ser medido em muitas gerações ou séculos. Um "pensamento sério" nunca pode ser confundido com um "modismo intelectual", portanto um olhar distante no tempo é essencial.
 
- Originalidade: A proposição deve ser nova, genuinamente original, e não uma releitura, uma interpretação ou mera discussão de uma idéia "séria" anterior. O pensamento sério seria, por definição e sem sombra de dúvidas, inovador.
 
- Aplicabilidade:  O pensamento sério deveria ter algum "compromisso com a aplicação", ou seja, deve influenciar, em algum grau, a área de conhecimento em que está circunscrito. A conotação não é meramente utilitarista, mas a idéia é que o pensamento sério contribua claramente para algum avanço.
 
Para o palestrante não há qualquer idéia brasileira que passe pelos três filtros. Na verdade, ficou no ar que não existe um pensamento nacional sequer que passe por qualquer um dos três filtros (a única exceção feita, no campo da literatura, foi para Machado de Assis).
 
Ele aproveitou para criticar a explosão de novas faculdades no Brasil, fenômeno que ele classifica de "pura enganação" e que, algum dia, a sociedade terá que enfrentar. Ele acredita que só um grande e profundo processo de reavaliação de cada curso, aliado a descredenciamentos em massa de cursos classificados de forma insuficiente, podem devolver a credibilidade ao diploma no país. Ato contínuo, defendeu investimentos no ensino fundamental e nos cursos técnicos e profissionalizantes.
 
Ao falar sobre o povo brasileiro, fez referência à tendência de não reconhecermos em nós mesmos o que ele considera os defeitos dos brasileiros em geral. Segundo ele, "o brasileiro são os outros", citando o já clássico exemplo de que mais de 90% dos brasileiros dizem que não são racistas mas, quando perguntados se há racismo no Brasil, a quase unanimidade dos entrevistados diz que sim. Nesta momento, abriu o livro "Viagem de um naturalista ao redor do mundo", lendo o trecho em que o jovem Charles Darwin descrevia horrorizado alguns brasileiros que conheceu aqui, religiosos fervorosos, que chicoteavam seus escravos, inclusive crianças, da maneira mais violenta e revoltante na sua frente e pelos motivos mais fúteis: "no Brasil, há uma desconexão total entre o que se fala e o que se faz".
 
Ao final, Eduardo Gianetti da Fonseca disse que iria tentar terminar a palestra de uma forma que ele considerava positiva e, em certo grau, motivadora. Lembrando seus 7 anos em Cambridge, disse que seus ex-colegas ingleses, franceses, alemães ou italianos não poderiam sequer sonhar em superar a contribuição intelectual de seus antepassados, enquanto nós, brasileiros, não teríamos que carregar esse fardo nas costas, que tudo aqui ainda está por vir, por fazer. Se não existe um pensamento genuinamente brasileiro digno de nota, isto é um enorme convite a todos nós para começarmos a preencher esta embaraçosa lacuna.
 
A conclusão final, convenhamos, não pode ser classificada como pensamento sério. A tragédia intelectual brasileira não é algo motivador, nunca foi, nunca será. De onde menos se espera, é de lá que não sai nada mesmo.
 
Nesta caso, estou com Nelson Rodrigues: nosso ufanismo, esse "narcisismo invertido", tem que ser morto a pauladas, não é possível que glorifiquemos nossos desastres. Para o dramaturgo. quando assumirmos a nossa miserabilidade, estaremos salvos.
 

 

Volta Delúbio!

Este que vos escreve gostaria de declarar publicamente seu voto a favor da campanha do Blog que pede a volta do “Companheiro Delúbio” ao PT. Conheçam o blog aqui: http://www.companheirodelubio.blogspot.com/. Você pode acompanhar a campanha pelo Twitter, claro, clicando aqui: http://twitter.com/comdelubio
 
O blog se apresenta assim: “enquanto a Camara Federal não aprovar a reforma política é injusto condenar apenas uma pessoa por todos os caixas 2 de mais de 500 anos de história desse pais.” O blog repete as teses dos acadêmicos e jornalistas a serviço do petismo de que a “perseguição” ao companheito era um “golpe das elites” contra o governo popular, progressista e operário e que ele teria feito “o que todo mundo faz”.
 
Outro argumento do blog é que nada do que fez foi “para benefício pessoal”, um argumento que, por si só, já resume boa parte do que penso sobre a esquerda e o que ela faz quando chega ao poder.
 
Na época do mensalão, o senador Pedro Simon (PMDB-RS), num discurso em plentário, disse: “se Lula fosse filmado assaltando um banco a mão armada” diria que era “para o povo” e ainda sairia fortalecido. O que seria hoje de Miami, aliás, sem os dólares do alto comissariado bolivariano, trazidos em malas de dinheiro e voando em jatos particulares, para usufruir de tudo que o dinheiro do povo pode comprar? Converse com alguém que faça negócios na Venezuela e que tenha algum tipo de relação com autoridades locais para ter uma aula definitiva sobre o socialismo real.
 
Segundo um dos primeiros posts do blog, “Delúbio Soares não é acusado de qualquer alcance de dinheiro público e não é acusado de um único ato sequer que visasse seu próprio benefício, seja político, financeiro ou pessoal.” O dinheiro “não contabilizado” não é negado. O que fica é a tese de Márcio Thomaz Bastos de que seria apenas Caixa 2 de campanha, um crime que, evidentemente, em maior ou menor grau, pegaria de roldão todos os políticos “desse país”.
 
Na época em que o mensalão ainda parecia ter algum potencial de penetração no caveirão blindado petista, Delúbio disse que todas as acusações contra ele virariam “piada de salão” e que em “três ou quatro anos” tudo seria esquecido. Palavras proféticas.
 
A campanha está no ar e tem meu apoio. E você, não acha injusto esse tratamento que o PT deu ao companheiro de luta? Delúbio não é mesmo a barba, cabelo e bigode do PT? Ele não merece um prêmio depois de seguir, com rigor siciliano, a Omertà petista e proteger o partido e seu timoneiro?
 

Syndicate content