Bolivarianismo

Chavez acusa americanos de invasão do Haiti

O coronel acaba de passar à frente e liderar com folga o triste campeonato de quem faz a declaração mais abominável sobre o flagelo do povo haitiano, tentando macular a imagem e criar constrangimentos a quem hoje mais socorre aquele país destruído e entregue ao caos. Veja a matéria do G1 com a declaração de Hugo Chávez aqui.
 
Alguém em seu juízo perfeito pode imaginar Barack Obama tramando a invasão do país mais pobre da região e sem nada mais a oferecer ao "invasor" do que uma terra arrasada e seus escombros, repleta de mortos, feridos, doentes, desabrigados e saqueadores? A declaração do coronel equivale moralmente a ver um bombeiro salvando uma moça de um incêndio e gritar: "esse sujeito quer é transar com ela!".
 
A atuação humanitária dos EUA é digna de todos os aplausos e deveria servir de exemplo para o mundo e de reflexão interna ao país que mais gasta dinheiro com a cada vez mais inoperante, inchada e ideologicamente estúpida Organização das Nações Unidas, talvez a maior e mais cara ONG do planeta. O trabalho de reconstrução do Haiti está só no início, há confusão e desordem, mas alguém tem que fazer o trabalho que a maioria das nações simplesmente não faz ou faz timidamente, apenas para dar uma satisfação ao eleitorado local.
 
Como lembrei no post "Pinheiro Guimarães, da Alemanha à Venezuela", o guru de Hugo Chávez é um brasileiro. Que tipo de conselho ele está dando ao seu pupilo? O que se sabe é que seu outro aluno, Celso Amorim, também anda rangendo os dentes para os EUA no Haiti, nos colocando na mais ridícula companhia do planeta.
 

Pinheiro Guimarães, da Venezuela à Alemanha

A frase inacreditável da semana é do também inacreditável ministro Samuel Pinheiro Guimarães Neto. Para ele, "há plena liberdade de imprensa na Venezuela" e que tudo que é dito em contrário é uma conspiração da imprensa golpista de direita.
 

Chamado por Lula de "o guru de Hugo Chávez", por ser o autor do livro de cabeceira do coronel ("500 anos de Periferia"), Pinheiro Guimarães foi empossado recentemente na pasta criada para Mangabeira Unger e que tem como desafio "pensar" o Brasil do futuro, talvez o Brasil comuno-fascista dos sonhos de alguns. Pinheiro Guimarães é o rosto mais reconhecível do anti-americanismo brasileiro mais radical e é também a principal liderança "intelectual" do Itamaraty bolivariano de hoje. Na cerimônia de posse do novo ministro, Celso Amorim chorou emocionado.
 
Opositor radical da Alca e de qualquer acordo comercial bilateral com os EUA, Pinheiro Guimarães deu no início do mês uma das mais provas mais irrefutáveis do que vai pela cabeça dos "pensadores" da extrema esquerda, conseguindo chocar até Elio Gaspari, que citou o fato na sua coluna: na visão bem particular do ministro sobre a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha teria ousado desafiar "a liderança anglo-saxônica no mundo." É, meus caros, ele realmente vê méritos no nazismo. Não acredita? Leia aqui.
 
Figuras sinistras como essa estão correndo para enfiar goela abaixo do Brasil, a toque de caixa, a agenda de esquerda mais radical, como no recente imbróglio do Decreto-bomba de Paulo Vannuchi, dando sinais claros do que será um governo da companheira Estela, com Franklin Martins na Casa Civil.
 
 

Um Luftal para nosso homem-bomba

Os 15 minutos de fama de Lula no cenário internacional não poderiam mesmo ter outro fim senão o supremo constrangimento que protagonizou ontem. E justo na Alemanha, país com feridas tão profundas e ainda em cicatrização que, por um mínimo de decência e bom senso, deveria ser poupado de bravatas irresponsáveis como estas.
 
Como podemos fazer a defesa destemperada, absurda e explícita de um regime medieval que, entre outros horrores, nega o holocausto e ainda aspirarmos uma cadeira permanente no Conselho de Segurnaça da ONU?
 
Para Lula e os bolivarianos do Itamaraty, se as democracias mais consolidadas do mundo têm bombas nucleares, por que os aiatolás iranianos não podem ter? Neste raciocínio, por que não Robert Mugabe, King Jong-Il, Islom Karimov, Muammar Khadaffi ou Omar al-Bashir? Que Lula pense isso, vá lá. O mais escandaloso é não haver um único diplomata brasileiro para explicar-lhe, sem teses estapafúrdias e bolivarianas, o siginificado das grandes guerras do século XX e porque a geopolítica do planeta têm a configuração atual.
 
Bombas nucleares sob o controle de Barack Obama e de toda sociedade americana é o mesmo que uma bomba nuclear nas mãos de King Jong-Il ou Hugo Chávez? Tenha dó! Um mundo pensado pelo Itamaraty negaria armas nucleares para Saddam Hussein?
 
Um arsenal nuclear nas mãos de democracias dignas deste nome são instrumentos de dissuasão e paz, enquanto nas mãos de ditadores aloprados é o começo do fim, um convite ao caos. Lula nasceu em 1945, ano em que bombas atômicas encerraram a última grande guerra, mas ainda hoje parte siginifcativa da universidade brasileira se alinha com versões da historiografia marxista que dão, por conta desse fato, um salvo conduto para que todo e qualquer facínora possa também explodir as suas. Osama Bin-Laden sempre defendeu que as bombas de Hiroshima e Nagasaki justficariam moralmente seus atentados terroristas, uma tese que ecoa em muitas almas tortas de anjos caídos por aqui.
 
O Irã é uma teocracia autoritária, que realizou um processo eleitoral viciado e fraudulento, com assassinatos, prisões e torturas para opositores, mas que mereceu um reconhecimento efusivo de Lula, o mesmo que é contrário ao belíssimo processo que o povo hondurenho conduziu, de forma exemplar e inequívoca, contra a tentativa de estupro chavista nas suas instituições democráticas. Honduras, assim como o "menino do MEP", resistiu bravamente.
 
Lula, numa fala especialmente vulgar mesmo para seus padrões, comparou os opositores derrotados por Ahmadinejad nas últimas eleições a torcedores que agem como maus perdedores. Ontem, na Alemanha, foi o Brasil inteiro que levou uma goleada.

E a porta-voz das FARC perdeu o Nobel da Paz.

A vitória da senadora colombiana Piedad Córdoba para o Nobel da Paz, considerada favas contadas pelas bolsas de apostas e até pela diretora do Instituto Nobel, candidata defendida publicamente por Hugo Chávez, acabou não acontecendo. Seria a total desmoralização do prêmio.
 
A comunista Piedad Córdoba é também a porta-voz do chavismo na Colômbia e virtual candidata a presidência da república, o que o Nobel ajudaria e muito. Lula já disse que as FARC deveriam se tornar partido político e ninguém melhor do que Piedad Córdoba para liderar a narcoguerrilha rumo ao poder eleito, com todo dinheiro do narcotráfico para elegê-la. Depois, é só fazer um plebiscito e mudar a Constituição e nasce mais uma Cuba.
 
A credencial da senadora para o prêmio poderia ser uma coleção de vários vídeos de reféns das FARC, alguns há 12 anos na selva, com armas apontadas para suas cabeças, elogiando o trabalho dela pela busca dos "acordos humanitários", um eufemismo pela troca de seqüestrados por narcoguerrilheiros presos.
 
Se não está fácil descobrir a que veio Barack Obama, cada vez mais parecido com Jimmy Carter até no Nobel, ao menos para isso ele serve: capitalizar o imaginário de um certo pacifismo bocó e não deixar que uma menina de recados de Hugo Chávez e representante do maior grupo organizado de traficantes de drogas do planeta fosse o símbolo da paz no mundo.
 

Chavismo para principiantes - ou o que está em jogo em Honduras

Ontem, na Globonews, a jornalista Leila Sterenberg, claramente simpática às teses chavistas e à Zelaya, convidou um professor-companheiro para "analisar" a crise em Honduras. O "especialista" defendeu o fanfarrão bolivariano com uma tese que resume, perfeitamente, como essa gente pensa.
 
Ao ser perguntado por uma outra jornalista se Zelaya não deveria ter aceitado a posição do parlamento ou a decisão judicial contra o plebiscito ou se não deveria enfrentar o processo judicial que corre contra ele hoje, respondeu: "por que um presidente eleito pelo povo deve se submeter a um judiciário que ele não considera legítimo?"
 
É isso que está colocado, meus caros, e é essa a discussão que a imprensa insiste em não explicitar: pode um presidente eleito rasgar a Constituição, ignorar o judiciário e o legislativo, por que ganhou uma eleição? Quem legitima o judiciário e o legislativo é o executivo? É o presidente eleito quem decide se os outros poderes são legítimos? Os membros do legislativo não foram também eleitos? O regime republicano tricameral acabou na região, fagocitado pelo hiperpresidencialismo, um eufemismo para ditadura?
 
Quem manda, afinal: o resultado de uma eleição ou a lei máxima do país? É uma questão ridícula para democracias consolidadas, mas incrivelmente atual para a América Latina. E isso não explica tudo, mas explica quase tudo.
 

Os dois brasis

Vai para Alexandre Garcia o crédito pela frase do ano até agora: "ontem foi o dia dos dois brasis, o que apóia Manuel Zelaya e o que recebe grau de investimento da Moody's".
 
Sendo mais explícito: ontem foi o dia do Brasil com responsabilidade fiscal, com metas de superávit primário e de inflação, que respeita contratos, que privatiza bancos estaduais e telessauros, um país construído a duras penas e contra a oposição mais terrorista da história, mas também do Brasil bolivariano e chavista, populista e coronelista, botocudo e anti-americano, que reúne no mesmo palanque Collor, Renan, Sarney e Lula.
 
Um Brasil destituiu, pelas vias constitucionais, Fernando Collor de Mello, e não foi considerado golpista por ninguém. Era 1992, o Muro de Berlim tinha caído apenas dois anos antes, após uma década em que o histórico movimento liderado por Ronald Reagan, Margareth Tatcher e João Paulo II propiciou as condições do fim da União Soviética. Outros tempos.
 
Já o Brasil de hoje acredita que um presidente eleito, seja de que jeito for, pode tudo, como se muitas das piores ditaduras da história não tivessem nascido em regimes liderados por tiranetes que chegaram ao poder pelo voto. Não custa lembrar que Saddam Hussein era sempre "reeleito" pelo povo, com 100% dos votos.
 
Este Brasil bolivariano, cujo governo incentiva regimes plebiscitários e sem qualquer compromisso com os valores democráticos e republicanos, é apenas a face dissimulada e perversa do que o continente produziu de pior em todos os tempos: ditaduras aliadas do terrorismo e do tráfico de drogas, ou narcoditaduras.
 
Qual dos dois brasis vai prevalecer? Ninguém pode saber ao certo, mas espero que o PCC e Lula protagonizando filmes não seja, de forma alguma, um sinal dos tempos.
 

Chávez e Xaveco

Celso Amorim passou de todos os limites e, por isso, peço emprestado ao físico Hortencio Borges o termo que criou para apelidar Lula e usá-lo para o ministro: "Xaveco", um ridículo contínuo de Hugo Chávez. Vergonha!
 
Mesmo após todos os erros, humilhações e derrotas da pior condução da política externa brasileira em todos os tempos, quem poderia imaginar que faria o que fez hoje, colocando o fanfarrão Manuel Zelaya para, da embaixada brasileira transformada em bunker, organizar uma guerra civil em Honduras?
 
Mas Amorim não está sozinho. Se não fosse Barack Obama (ou qualquer outro democrata) na Casa Branca, talvez a história fosse diferente e Honduras pudesse ter as decisões soberanas do seu judiciário e do legislativo respeitadas.
 
Hoje foi o dia de Chávez, de uma vitória importante do bolivarianismo e dos narcoditadores na sua luta pelo controle da América Latina.

O réquiem de Oliver Stone

Muita gente já se perguntou como Elvis Presley, James Dean, Marilyn Monroe ou até Heath Ledger lidariam com a velhice, idade que Simone de Beauvoir dizia ser a paródia da vida.
 
Teria Elvis envelhecido como Frank Sinatra, cantando e esbanjando vitalidade mesmo depois dos 80 anos, ou continuaria como um cover de si mesmo em Las Vegas, como Bill Haley? A carreira de James Dean teria seguido em ascensão como as de Marlon Brando e Paul Newman ou se tornaria irrelevante? Marilyn teria envelhecido com a elegância de Sophia Loren ou com as esquisitices de Liz Taylor? Che Guevara continuaria sendo um ícone ou se tornaria um zumbi comedor de cérebros como Fidel? Teriam Jim Morrison, Janis Joplin e Jimmy Hendrix mantido o vigor criativo e as vendas ou passariam a tocar em bares (ou no terceiro mundo) como Jerry Lee Lewis?
 
Poucas velhices podem ser tão constrangedoras quanto à de Oliver Stone. Do Oscar por "Platoon" e "Nascido em 4 de julho" à "Procurando Fidel", "W." e "South Of the Border", Stone é uma prova de que décadas de bebidas e drogas podem mesmo fazer qualquer massa encefálica se transformar em pasta de amendoim. A idade que virou maturidade em Clint Eastwood, um mestre incontestável e digno de todas as homenagens, em Stone virou senilidade, uma triste história de decadência física, intelectual e moral. Se Glauber Rocha incensou José Sarney com o perdão da juventude, o que dizer de alguém que faz um filme elogioso sobre Hugo Chávez depois dos 60 anos? 
 
Em 1999, ano em que produziu um bom filme ("Any Given Sunday"), Stone foi preso com drogas e fez um acordo com a justiça que incluía um período de reabilitação. Já sua prisão por dirigir bêbado e drogado em 2005, um ano depois do desastroso "Alexandre", mostrava que algo havia se perdido para sempre.
 
Esta época foi a última que muita gente ainda levava Oliver Stone à sério. "Alexandre", filme sobre um dos personagens mais fascinantes da história, surpreendeu por ter um roteiro que abandonou o natural tom épico que Alexandre da Macedônia evoca para transformar a trajetória do maior conquistador da história numa espécie de "Priscilla, Rainha do Deserto" da Antiguidade. De repente, para Oliver Stone, o Monte Olimpo era a Brokeback Mountain e nada mais. Um fiasco de bilheteria que resultou em seis indicações ao Framboesa de Ouro: pior filme, pior diretor, pior ator (Colin Farrell), pior atriz (Angelina Jolie), pior ator coadjuvante (Val Kilmer) e pior roteiro.
 
Ao cair nos braços do pior tipo de militância comunista, Stone perdeu definitivamente o rumo. Michael Moore é venal, dissimulado, mentiroso, falacioso ao extremo, mas tem um claro domínio da linguagem mais contemporânea do documentário e, diga-se, não tem miolo mole. Moore é criativo, irônico e sabe mesmo como conduzir a audiência, mesmo que seja para um péssimo caminho. Sua propaganda de Cuba em "Sicko" não é desavisada, preguiçosa, involuntária ou utópica, sua visão idílica da ilha-presídio é construída racionalmente, uma carpintaria monstruosa mas precisa e competente.
 
Steven Soderbergh, para fazer o mesmo tipo de militância, deu vida ao Che Guevara pop, das camisetas e mochilas, jogando uma cortina de fumaça sobre o assassino frio, o "porco fedorento", péssimo estrategista militar e ainda pior como ministro da indústria, mas não fez um mau filme. Até no Brasil, assassinos de esquerda como Olga Benário ou Lamarca ganharam um verniz nas suas biografias, mas nenhum cine-comunista havia descido tão baixo quanto Stone e feito um filme justamente sobre um dos mais abjetos presidentes latinos da história, não só incompetente, fanfarrão e autoritário como umbilicalmente ligado ao narco-terrorismo.
 
Na concepção desastrada do diretor, não há pecado do lado debaixo do Equador. É possível elogiar um ditador aliado às FARC, que está destruindo as instituições democráticas de seu país tão profundamente que gerações de venezuelanos ainda sentirão os reflexos, desde que ele se volte contra os EUA, esse país que criou Oliver Stone mas que se cansou de suas idiotices.
 
Ele talvez não perceba que o pior tipo de preconceito americano ou europeu é aquele que imagina que as republiquetas de banana latinas não possam produzir nada melhor mesmo, então que ao menos o ditador de plantão possa oferecer dentaduras e esmolas ao povo em troca de culto à personalidade e hinos contra o império satânico. O próximo filme de Stone poderia ser sobre Kim Jong-Il. 
 
Os fantasmas da Guerra do Vietnã produziram bons filmes, mas hoje da cabeça sequelada de Stone saem apenas perdigotos cinematográficos como este. Muito melhor a velha Brigitte Bardot, reclusa e criando gatos, do que Oliver Stone, com uma câmara na mão, alimentando ratos.

Superioridade moral

 
Parabéns a todos os democratas e liberais que condenaram em uníssono os correligionários de Álvaro Uribe por permitirem que a gripe suína do terceiro mandato tenha mais uma sobrevida.
 
Até agora não ouvi ninguém do lado democrata criar teorias ou acusar conspirações para justificar esse erro ou, o que é pior, tentar ser "pragmático" e dizer que tudo seria explicável pelo seu bom desempenho (e não há nenhum presidente latino americano tão bem sucedido quanto Uribe), pela governabilidade ou qualquer outra impostura da mesma lavra.
 
Convicção e moral não têm preço e, pela alternância de poder, todo verdadeiro democrata está disposto a sacrificar a possibilidade de continuação de um governo exemplar, liderado por um gigante no combate ao narcotráfico, o mal mais corrosivo do planeta, que encontrou na América Latina um terreno fértil para crescer, florescer e destruir.
 
A condenação dos democratas e liberais reforçam o que chamo de superioridade moral, ou uma rasteira nos risíveis argumentos dos neoestatistas e comuno-fascistas de que são distintos nas virtudes e iguais nos defeitos. Mais uma vez, está provado: não são.
 
O presidente colombiano tem dado repetidas provas de que não pertence à mesma vala comum de muitos de seus vizinhos, como quando fez um périplo pela região para detalhar seu acordo militar com Barack Obama. Alguém por acaso viu Hugo Chávez explicar seriamente, sem bravatas, seus acordos militares com a Rússia ou com o Irã ou as armas do exército venezuelano encontradas nas mãos das FARC? Ah, tenha dó!
 
Ainda há tempo de Uribe perceber que este episódio pode criar uma fissura numa biografia sem par no continente e dar um pouco de alfafa ideológica aos que se alimentam do narcoterrorismo de esquerda para justificar regimes ditatoriais que submetem deliberadamente seus povos ao atraso, à miséria e à violência.

Muito barulho por muito

 
A propaganda brasileira é uma das melhores, mais profissionais e premiadas do planeta. Este ano, a brasileira DM9DDB conquistou, pela terceira vez, o título de melhor agência do mundo no Festival Internacional de Cannes, o mais importante e prestigioso prêmio que existe neste mercado.
 
E justamente a DM9DDB protagonizou um episódio incrivelmente embaraçoso para o Brasil esta semana, sintomático do antiamericanismo que ainda infecta e atrasa o país, uma doença que não perdoa nem algumas das suas cabeças mais informadas e criativas.
 
Um anúncio, criado para seu cliente WWF (World Wildlife Fund), sugere que o 11 de setembro não foi nada se comparado ao número de mortes provocadas pelo tsunami e que deveríamos prestar mais atenção ao aquecimento global, uma estupidez climática (já que o tsunami não tem nada a ver com isso, é um fenômeno natural) e uma boçalidade política, comparável a se fazer piadas com o holocausto para judeus ou caricaturas de Maomé para islâmicos. Veja a matéria aqui.
 
Não bastou para que o assunto ganhasse a imprensa americana. O apresentador de TV Keith Olbermann, da MSNBC, elegeu a DM9DDB vencedora no quadro “pior pessoa do mundo”, descendo a borduna na agência e no anúncio, com toda razão. Por pouco não vira questão diplomática. A empresa já se desculpou, assim como a WWF, que afirmou nunca ter aprovado o anúncio, mas o estrago está feito.
 
Recentemente, em outro evento emblemático, parte da imprensa e blogueiros de esquerda tentaram caracterizar o reforço que o exército americano está provendo ao povo colombiano, há 40 anos assombrado pelo pesadelo terrorista das FARCs, como uma interferência dos EUA no continente, uma imbecilidade alardeada pelo Itamaraty, que se tornou uma espécie de think tank do bolivarianismo no governo. Resultado: mais constrangimentos e o Brasil outra vez se portanto como uma espécie de mestre sala e porta-bandeira de Hugo Chávez, Fidel Castro, Evo Morales, Daniel Ortega e Rafael Corrêa, a Unidos do Atraso.
 
Um país que sonha com a inserção nos mercados mundiais e que se quer relevante nas grandes discussões geopolíticas não pode mais deixar suas escolas, redações e universidades, especialmente nas áreas de humanas, nas mãos do pior tipo de idiota latino-americano e seu submarxismo de orelha de livro, uma questão que começa a preocupar gente séria e genuinamente preocupada com o Brasil.
 
Mesmo assim, a eleição de Barack Obama deu uma guinada positiva na imagem dos EUA pelo mundo, especialmente no Brasil. Em 2003, segundo pesquisa do Pew Global Attitudes Project, apenas 35% dos brasileiros tinham uma visão favorável do país, uma das baixas do planeta. Hoje são 61%, colocando nossa população próxima dos alemães (64%) e japoneses (59%), atrás de sul coreanos (78%), franceses (75%) e indianos (76%), mas bem à frente de chineses (47%), russos (44%), argentinos (38%), egípcios (27%), paquistaneses (16%) ou palestinos (15%). Há luz no fim do túnel.
 
A DM9DDB é um orgulho nacional e profissional para todos os publicitários que, como eu, admiram o incrível trabalho da empresa. Que este tropeço sirva de lição.
 

Fernando Lugo ou Mikhail Khodorkovsky?

 
O subjornalismo que se alimenta das sobras atiradas das mesas do Planalto investiu na desqualificação de Lina Vieira por ser casada com Alexandre Firmino de Melo Filho, um ex-ministro interino do governo anterior (ele ocupou a pasta por alguns meses). Na esteira da saída de Lina, o Ministro da Fazenda exonerou a chefe de gabinete Iraneth Weiler e o assessor Alberto Amadei, que haviam cometido o crime de confirmar a história.
 
Duvido que qualquer leitor do Pandorama desconheça o gravíssimo risco para a democracia quando a receita federal de um país é usada com fins políticos, quer seja para aliviar (ou "agilizar"), quer seja para perseguir inimigos, para municiar juízes que ordenam prisões espalhafatosas ou instaurar processos kafkianos contra eles.
 
Quando o dono da maior fortuna da Rússia, o jovem e carismático empresário Mikhail Khodorkovsky, revelou ter aspirações políticas, o governo Vladmir Putin encontrou um desvio na sua contabilidade, mandou prendê-lo e congelar seus bens, o que pulverizou seu patrimônio e enterrou suas pretensões (na foto abaixo, Khodorkovsky enjaulado no julgamento). Foi uma lição realmente dura de como é ser empresário em países bolivarianos ou bolcheviques, mas que muitos financiadores de campanha daqui ainda não entenderam.
 
Não pretendia perder um minuto com essa bobagem do marido da Lina Vieira quando chega a notícia de que doze integrantes da cúpula da Receita Federal pediram demissão em solidariedade à ex-secretária e contra a ingerência política no órgão. Cinco deles eram superintendentes regionais.
 
Utilizando o mesmo critério usado pelo pessoal do subjornalismo e aceito pelas velhas de Taubaté do petismo, Alexandre Firmino de Melo Filho é o nosso Fernando Lugo!
 
Se todo o episódio é uma invencionice e Lina só foi uma porta-voz das ordens do companheiro, a serviço de interesses políticos, como imaginar que tantos servidores da direção da Receita Federal pediram demissão em bloco e alegando o mesmo motivo, ou seja, ingerência política excessiva e insuportável no órgão?
 
Ou Alexandre Firmino de Melo Filho é o maior garanhão de Brasília ou precisamos, com urgência, chamar Mikhail Khodorkovsky para contar sua história por aqui.

 
UPDATE: Já são 60 os servidores que deixaram a receita. Seria mais um atestado do incrível poder sexual de Alexandre Firmino de Melo Filho? Aguardamos a nova teoria do subjornalismo para tentar explicar a situação. Quando o IPEA é aparelhado, temos um abalo na credibilidade do país. Quando a receita é aparelhada, temos uma ditadura. 
 
 
 

Sardenberg e a Unasul

Carlos Alberto Sardenberg é um oásis de lucidez entre os comentaristas da grande imprensa, um dos poucos livres das algemas mentais mais comuns entre seus pares. Seu livro mais recente, "Neoliberal não. Liberal.", é uma leitura acessível e rápida a quem se interessar em dar os primeiros passos numa visão menos nacional-desenvolvimentista (ou bolivariana) e mais democrática e liberal da economia e da política em tempos de crise mundial.
 
Suas observações de ontem sobre a Unasul na CBN são corajosas e dão nome aos bois sobre o que está realmente em questão quando os fanfarrões da Unasul (o novo nome do Foro de S. Paulo) gritam, exalando aquele cheiro de enxofre com naftalina, contra os "imperialistas" (Barack Obama?) e seus planos malignos para invadir a Venezuela. Tristes trópicos. 
 
Ouçam o comentário do Sardenberg aqui.

Syndicate content