Pinheiro Guimarães, da Venezuela à Alemanha

A frase inacreditável da semana é do também inacreditável ministro Samuel Pinheiro Guimarães Neto. Para ele, "há plena liberdade de imprensa na Venezuela" e que tudo que é dito em contrário é uma conspiração da imprensa golpista de direita.
 

Chamado por Lula de "o guru de Hugo Chávez", por ser o autor do livro de cabeceira do coronel ("500 anos de Periferia"), Pinheiro Guimarães foi empossado recentemente na pasta criada para Mangabeira Unger e que tem como desafio "pensar" o Brasil do futuro, talvez o Brasil comuno-fascista dos sonhos de alguns. Pinheiro Guimarães é o rosto mais reconhecível do anti-americanismo brasileiro mais radical e é também a principal liderança "intelectual" do Itamaraty bolivariano de hoje. Na cerimônia de posse do novo ministro, Celso Amorim chorou emocionado.
 
Opositor radical da Alca e de qualquer acordo comercial bilateral com os EUA, Pinheiro Guimarães deu no início do mês uma das mais provas mais irrefutáveis do que vai pela cabeça dos "pensadores" da extrema esquerda, conseguindo chocar até Elio Gaspari, que citou o fato na sua coluna: na visão bem particular do ministro sobre a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha teria ousado desafiar "a liderança anglo-saxônica no mundo." É, meus caros, ele realmente vê méritos no nazismo. Não acredita? Leia aqui.
 
Figuras sinistras como essa estão correndo para enfiar goela abaixo do Brasil, a toque de caixa, a agenda de esquerda mais radical, como no recente imbróglio do Decreto-bomba de Paulo Vannuchi, dando sinais claros do que será um governo da companheira Estela, com Franklin Martins na Casa Civil.
 
 

Bom ponto

Bom ponto, Paulo. Há sim inúmeras coincidências entre a agenda "nacionalista" dos militares latinos e a esquerda. Talvez tenha sido esse o grande erro dos EUA nos anos 60/70 ao apostar em militares nacionalistas contra a ameaça comunista em vez de apostar em lideranças mais afinadas com ideais democráticos. Hoje a esquerda mais radical deu metástase no continente, provando o fracasso da estratégia.
Hugo Chávez trilhou esse caminho, ele é militar de carreira, chegou a tenente-coronel, e talvez seja o símbolo máximo da proximidade das idéias desses dois grupos aparentemente antagônicos. Por pouco, um militar chavista (Ollanta Humala) venceu as eleições presidenciais no Peru. Ele se definia como um militar "nacionalista de esquerda".
Talvez você não saiba, mas o regime mais estatista da história do Brasil foi o dos militares. Delfim Netto foi o czar da economia dos militares e é a voz mais ouvida no governo Lula no mesmo assunto, ele é o pai do PAC. Nacionalistas e esquerdistas do continente têm o mesmo ranço autoritário, a mesma xenofobia, o mesmo anti-americanismo botocudo, são no geral idiotas latino-americanos que odeiam a livre concorrência e amam uma economia fascista, fechada e oligopolizada, controlada por meia dúzia de amigos do rei, que financiam filmes sobre sua vida e pagam suas contas.
Em 2006, o líder do MST João Pedro Stédile deu palestra e foi aplaudido na Escola Superior de Guerra. Preciso dizer mais alguma coisa?
Nos anos 60/70, militares e comunistas brigaram pelo Brasil. Briga de irmãos siameses, cada um com seu projeto autoritário e anti-democrático de poder. Detesto ambos.

Militares e militantes

Militares e militantes compartilham de uma mesma utopia, da gestão e do controle racional da sociedade por meio de um estado perfeito. A diferença é quem controla este estado, se um grupo de iluminados positivas ou uma camarilha partidária que se diz representar os trabalhadores.
São ambos filhos do século XIX.

É isso

Parabéns, é isso.

estatolatria + regulamentação

isso tem cheiro de fascismo, forma de fascismo e jeitão de fascismo.

Nem toda regulamentação é

Nem toda regulamentação é contrária à liberdade. O problema é fazer como na Venezuela, onde o Chavez está usando o exército para reverter a lei da oferta e da procura.

Desinformação

Caros, a idéia de que um governo liberal é um governo que não regulamenta é parte de uma máquina de desinformação muito eficiente.
Poucas atividades humanas são tão regulamentadas como o mercado de ações e de valores mobiliários. Esses mercados são a essência do capitalismo.
Mas quem regulamenta as atividades de um governo hipertrofiado e anabolizado? Vejam a perseguição nazista ao TCU que este governo patrocina, por exemplo. São ditadores que odeiam regulamentação, não democratas.

contratos

Acho que o capitalismo depende mais de contratos que de regulamentação em si.

Confiança

O capitalismo precisa é de confiança entre os agentes econômicos. Quem desenvolveu esse tema com muita propriedade foi o Francis Fukuyama neste livro: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?isbn=8532506607&sid=01372443412113266015626032 

sim

Confiança que os contratos sejam cumpridos (rs)

Pois é, quem inventou a idéia

Pois é, quem inventou a idéia de um governo submetido ao império das leis foram os liberais. As ideologias totalitárias inventaram a idéia de submeter as leis ao estado, e este a um grupo de donos da verdade.

regulamentação

É tem a regulamentação benéfica, a auto-regulamentação. Daí que para ser fascismo tem que ser com estatolatria, de cima para baixo. Quem regulamentou o mercado de ações? O próprio mercado, ou melhor, os mercadores. O governo entra depois.
As leis não emanam apenas de decretos presidenciais, (parece que esquecemos disso) emanam dos costumes, da tradição e dos anseios dos indivíduos.

Pinheiro Guimarães, comunista?

Do curriculum vitae publicado no site da Secretaria de Assuntos Estratégicos:
Foi Vice-Presidente da Empresa Brasileira de Filmes (EMBRAFILME) e Diretor de Cooperação Internacional da Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE). É Membro do Centro de Estudos Estratégicos da Escola Superior de Guerra.
Alguém com este perfil pode ser rotulado como comunista? Ou será que ele representa o pensamento de um certo nacionalismo conservador da caserna?

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