Nomes aos bois

Um editorial importantíssimo de hoje do Estadão, aquele jornal que o Zé Dirceu e o Sarney não gostam, fala que há no governo "um amplo esforço de liquidação do Estado de Direito e de instalação, no Brasil, de um regime autoritário", o que é uma acusação bastante grave, direta e sem meias palavras. Será que o Estadão agora também virou "histérico" ou está dando nome aos bois e defendendo a democracia brasileira de mais um ataque?
 
Leiam aqui o texto e concluam por vocês e, claro, preparem-se para que o jornal seja verbalmente apedrejado, ao menos por enquanto, por todos os lulistas radicais, tantos os que estão no armário quanto os que já saíram. O editorial faz comparações ao nazismo e seus eufemismos (com muita propriedade, aliás), outro pecado mortal para os que defendem o lulismo e patrulham ideologicamente seus adversários reais ou imaginários.
 
Vários analistas buscam suavizar a tentação autoritária dos petistas, a despeito de todas as evidências, o que tem exigido contorcionismos admiráveis na espinha dorsal de alinhados ou alugados. Li até que o Brasil nunca esteve ameaçado de um golpe comunista porque, afinal, nunca houve um golpe comunista bem sucedido, o que confunde intenção com competência. Não há como uma ditadura começar sem que vários inocentes úteis finjam que nada está acontecendo.
 
Se houver uma guinada totalitária num eventual (e funesto) governo da companheira Estela, o Brasil não poderá dizer que foi pego de surpresa.

Controlar a imprensa? Nunca!

Pax, você acha que o jornal do Movimento operário faz bem a democracia? Creio que não. Mas e daí? Devemos fechá-lo? Não. O problema é que as esquerdas não se conformam com a tiragem da VEJA, ESTADO e outros jornais nem tão conservadores mas não tanto 'a esquerda que satisfaça a gentalha guerrilheira.

Controle social da "mídia"

Já existe o melhor controle social da mídia possível; a liberdade de comprar ou não aquele veículo na banca de jornais.
A Veja foi aprovada pela "Confebanca" e reprovada pelos çábios da Confecom. Como disse o Millor, "o comunista é um tipo de alfaiate que quando o terno não serve ele quer consertar o cliente".

Partido dos Sem Leitores

Vi sim

Um governo de um pragmático, que usa os radicais para seus propósitos, pode ser substituído por um governo de radicais. Um governo da companheira Estela seria abrir a caixa de Pandora e deixar todos esses demônios soltos, sem freios.
Lula foi forjado no sindicalismo de resultados, na conciliação e na acomodação, no peleguismo. Essa turma é diferente, é bolchevique puro sangue. Neste caso, nosso sangue.

Respondendo

Os documentos são diferentes, muito diferentes, mas reconheço que a tática do Franklin foi brilhante e realmente muita gente está acreditando que é mais do mesmo.
Enquanto ninguém me mostrar onde, no documento do governo anterior, está escrito que haverá instâncias sindicais para, por exemplo, avaliar antes da justiça se uma propriedade rural deve ou não ser reintegrada ao seu legítimo dono, um documento é uma mera masturbação intelectual esquerdista de quinta categoria, coisa do péssimo José Gregori, e a outra um manual de destruição da democracia. Nada que os vizinhos alinhados ao chavismo já não estejam fazendo e sob os aplausos dos petistas.
Se você acha que o Estadão não "analisou" e está "histérico", é um direito seu. Ainda há liberdade de impresa, graças a Deus. E eu tenho a liberdade de concordar com o que o Estadão argumenta (e que, diga-se, aqui já se dizia há tempos).
A imprensa brasileira já está submetida a uma lei suficientemente abrangente para culpar crimes como injúria e difamação, assim como proteger quem exerce o livre direito de opinião.
Sobre esses "conselhos" para colocar um cabresto na imprensa, veja por favor esse post: http://lulaborges.com.br/2009/09/o-ovo-da-serpente

Histeria, sim.

Continuo achando que é uma histeira que se esparramou.
 
Senão, vamos lá:
 
O que as críticas efetivamente propõem?
 
- Algo diferente que o Gregori/FHC propuseram em essência? Entendemos que eles também são comunistas comedores de criancinhas?
 
- Já disse, desde o início deste quiprocó pra lá de improdutivo, que o texto é ruim, romântico, com viés marxista e até stalinista etc. Mas que tem, em essência, os pontos que precisam ser debatidos. (ou você discorda que a imprensa nas mãos de lado (a) ou lado (b) pode fazer enormes estragos democráticos?).
 
Então, volto ao meu ponto: calma, um pouco menos de histeria e um pouco mais de análise. Desde o primeiro comentário sobre esta questão, meu ponto é: vamos analisar as diferenças das propostas do FHC/Gregori (I e II) e as do Lula/Vanuchi? Parece óbvio que o que foi assinado é ruim, mas vamos analisar dentro de alguma lógica à além da falta de um bom meio ambiente para tal. (quem sabe Freud ou, melhor, Yung, expliquem melhor)
 
Tanto de um lado, quanto do outro, há problemas de abrangência. A questão é sabermos quais pontos são necessários ou não, quais ameaçam em essência - ou discurso - o  que entendemos com o democracia, e o que será efetivamente se tornar uma realidade jurídica, Lei que a sociedade terá que obedecer. No fundo se resume nisso: qual é a Lei?
 
O resto? De novo, me parece mais discurso da falta de discurso que realmente um discurso com pauta definida, ou seja, histeria.
 
 

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